COLÉGIO ESTRUTURAL | Mogi das Cruzes | Escola Particular

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Gostaria de compartilhar experiências sobre filmes e gostaria de convidá-los a partilharem também. Nos vemos por aqui.

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                                Django Livre

A primeira vez que assisti um filme com o título Django, eu tinha uns... treze anos, creio. Havia uma sessão de filmes na grade da antiga emissora do Dr. Paulo Machado de Carvalho (hoje é a emissora da tal igreja) que se chamava Bang-Bang à Italiana, nela passavam somente películas conhecidas como faroeste espagueti porque todos os filmes eram protagonizados ou dirigidos por italianos.

Quentin Tarantino, um confesso fã deste tipo de filme, presta uma bela homenagem à este tipo de cinema. Narra a história de um escravo (Jamie Fox) conquista sua liberdade por meio da intervenção de um caçador de recompensa e dentista alemão Schultz (Christoph Waltz) que o ensina a arte de caçar homens procurados pela justiça e descobre um dom natural em Django para atirar com precisão.

Django tem um único objetivo: encontrar e resgatar Broomhilda (Kerry Washington), a esposa que ele havia perdido para o tráfico de escravos há muito tempo. A busca de Django e Schultz acaba levando-os até Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), o proprietário de “Candyland”, uma fazenda abominável onde os escravos são preparados pelo treinador Ace Woody (Kurt Russell) para lutarem entre si sob apostas da alta sociedade da época. Explorando a fazenda sob falsos pretextos, Django e Schultz despertam a desconfiança de Stephen (Samuel L. Jackson quase irreconhecível!), o fiel escravo doméstico de Candie.

Django Livre foi o melhor resultado de bilheteria de Tarantino, pelo menos no Brasil. A receita é muito básica: diálogos sagazes e com muito humor negro - destaque para a cena sobre um "possível" início da KKK e uma discussão a respeito da confecção dos capuzes brancos - e a maneira de como Quentin cria toda uma estética para mostrar a violência como elemento sociológico - fator que tornou memoráveis suas produções anteriores como Pulp Fiction e Bastardos Inglórios.

Ambientada no sul dos EUA e contextualizada dois anos antes da Guerra Civil norte-americana, o ponto-chave do filme é o retrato que o diretor faz sobre a escravidão, inclusive com elementos nunca antes mostrados em produções anteriores que trataram o mesmo assunto. Como por exemplo o fato de Django se passar como um consultor para compra de escravos e a estranha ligação entre Calvin, senhor de escravo, e Stephen, um escravo que assimilou a lógica da servidão como natural.

Outro destaque é a pequena, mas mais do que merecida homenagem à um ícone, ainda vivo, do bom faroeste espagueti: Franco Nero, que protagonizou no passado o papel título.

Alguns críticos torcem o nariz quando escrevem sobre os filmes de Tarantino, minha opinião é de que debater filmes é quase tão bom quanto assistí-los. Bom filme!

O Planeta dos Macacos

a origem

Tive a chance de assistir à "refilmagem" O Planeta dos Macacos - a origem. As aspas são porque na verdade é uma releitura de um outro filme: Conquista do Planeta dos Macacos, lançado em 1972 que encerra uma saga iniciada pelo clássico O Planeta dos Macacos, protagonizado por Chalton Reston.

Esta refilmagem é cheia de ação, mas também há muita reflexão ética e filosófica entorno da história sobre um cientista que, na busca incansável por uma cura para o Mal de Alzaimer motivada pelo fato de seu pai ser vítima desta doença, realiza experimentos em chimpanzés com um virus que regenera células cerebrais danificadas. César é o chimpanzé que nasce em cativeiro, cuja mãe lhe transmite geneticamente uma mutação do virus experimental. Do ponto de vista da ética, o destaque está no modo como testamos produtos para uso humano em animais enquanto pensamos no lucro. O lado filosófico do filme fica por conta do fato do ser humano querer dominar e controlar a natureza - seja expressada pela doença ou pela mente em evolução de César. Enfim um ótimo filme que vale a pena ser conferido.

Assalto ao Banco Central

Seguindo a onda das produções nacionais para a telona, a película sobre o maior assalto a banco do país, ocorrido no Ceará, traz alguns elementos iniciados com Tropa de Elite: um retrato do Brasil, uma nova forma de vermos como as coisas funcionam no Sistema, denunciar as formas de corrupção e como ela atua nos diferentes escalões.

O filme se passa entre o antes e o depois do assalto. O Banco Central do Ceará recebe as notas retiradas de circulação, assim um bando resolve fazer uma grande retirada. Para isso alugam uma casa a alguns metros da agência, cavam um túnel e roubam R$ 1,6 milhão em notas de 50 antigas. No entanto, a história se perde em tramas paralelas e conflitos individuais num enredo baseado em fatos reais.

Vou me explicar. Não sei de onde tiraram um engenheiro, cuja função é projetar o túinel, com um discurso socialista e que tenta disseminar no bando uma consciência de classe. Na certa tentando fazer acreditar que um pensamento anti-capitalista é sem sentido, ultrapassado e é usado por ladrões sofisticados, em suma: a intenção é desqualificá-lo. Há um personagem chamado "Mineiro" que, no momento da finalização do assalto, solta uma pérola: "nessas horas me dá orgulho de ser brasileiro". Qual foi a intenção? Dizer que brasileiro é sinônimo de ldrão esperrrrrto? Sem contar que a fala é totalmente sem sentido no momento da conversa entre os parceiros de roubo, tornando a cena forçada.

Em suma, uma tentativa pretenciosa de ser um filme alternativo, esclarecedor e cheio de denúncias e análise do comportamento humano. Sinceramente, minha mais modesta opinião é de um trabalho medíocre recheado de pseudo intelectualismo. É isso!

Os Imortais

Uma bela micelânia de 300 + Fúria de Titãs + Tróia, ou seja, o filme tenta criar uma história que explica a origem dos Deuses do Olimpo e seus antagonistas, os Titãs. O enredo é empolgante e o tempo passa rápido, demonstrando que a história não se perde por possuir uma narrativa própria, apesar de ter elementos dos outros filmes já citados. O ano é 1.22...8 a. C. (não sei porque esta data tão peculiar), O rei Hiperion (Mickey Rourke) está em busca do arco de Épiro, uma poderosa arma que pode matar até mesmo deuses, tudo pelo fato de não ter sido atendido pelos deuses quando mais precisou. Enquanto isso Theseus (Henry Cavill, o novo Superman) vive tranquilamente em uma pequena vila encravada na montanha, ao lado da mãe e de um senhor (John Hurt) que é seu tutor desde quando era criança. Hiperion, na sua busca pelo arco divino, invade-pilhas-extermina todos os vilarejos aos quais chega. Theseus luta para vingar sua vila e sua mãe da tirania e recebe apoio de Phaedra (Freida Pinto), uma vidente que teve uma visão em que Theseus empunha o cobiçado arco de Épiro. O destaque nesta Odisséia está na descrição de uma sociedade extremamente hierarquizada (classista) e na exposição dos valores pessoais e religiosos que nos fazem pensar sobre nossa relação com as divindades, em outras palavras: até que ponto somos nós que realizamos as ações ou somos influenciados por divindades. Bom filme. Por enquanto é só.

Gigantes de Aço

Sendo sincero, não dava muito valor pela história, conhecida por meio de sinopse e críticos de cinema. O que me faz pensar uma coisa: VEJA O FILME! NÃO SE BALIZE POR OUTROS! Retomando, o filme é uma mistura dos chamados clichês de histórias de boxiadores: perseverança, uma criança, superação de limites, choque entre o novo e o tradicional, duelo homem X máquina. Resumindo, é como uma mistura de todos os "Rock's" com Touro Indomável e O Lutador. No entanto, o enredo é dinâmico e a história cativa. Digo isso porque o filme se fixa em valores que têm sido abandonados em nossa sociedade: solidariedade, família, orgulho próprio, coragem, apego a sentimentos que nos dão sentido e realização. Os efeitos especiais, apesar de ficarem apenas na captação de movimentos para dar vida aos andróides, são bem feitos e deixam o filme leve e prazeroso (destaque para as cenas de dança do garoto e seu robo lutador). Bom filme!

Super 8

Sob a direção de JJ Abrams e produção de Spielberg, este conto de suspense e ficção científica, traz uma história rica e comovente de um grupo de jovens que fazem de tudo pela produção de um curta metragem sobre zumbis filmado em câmera super 8.

Ao fazerem uma externa numa estação de trens abandonada, presenciam um acidente entre uma caminhonete e um trem da força aérea dos EUA. O terrível desastre desencadeia um conjunto de eventos estranhos que dão o enredo do filme. Como em quase todo filme no qual Spielberg põe a mão, não poderia deixar de faltar o drama do relacionamento entre pais e filhos, neste caso, entre os personagens Delegado Jackson Lamb e seu filho Joe Lamb (o maquiador do curta metragem) e entre Alice Dainard (protagonista do curta metragem) e seu pai Louis Dainard.

Mas o destaque que faço deste filme são... como direi... uma verdadeira cesta de easter eggy (ou ovos de páscoa) dos filmes do Spielberg. É sério, pedem conferir, estão lá. Os Goonies, Talkien, Conta Comigo, e principalmente E.T. Neste último a metalinguagem fica óbvia no primeiro contato entre Joe e o..... bem.... vocês já devem deduzir. Além, é claro, de algumas referências aos fenômenos pop da sétima arte: atividade paranormal e invasões zumbies (cara, a empresa fictícia do curta metragem dos garotos chama-se Romero, uma homenagem ao precursor dos zumbies na telona: Cesar Romero). Bom filme!

Os Substitutos

   Assisti recentemente o filme Os Substitutos estrelado por Bruce Willis. Baseado em uma HQ, a história narra a intrigante história sobre as pessoas (todas) que, por medo ou conveniência, usam robôs como seus avatares para fazerem suas atividades enquanto ficam em casa "com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar".
   Aí é que está o "filé" da película: o que começou como algo, supostamente, para a segurança e preservação das pessoas, acabou como uma verdadeira muleta para evitar o enfrentamento da realidade.

   A trama tem vários elementos que me interessam: ficção científica, ação, dramas pessoais. relações conflituosas e de poder. Tudo bem dosado permitindo interpretações e impactos diferentes ao espectador. Um destaque especial é quando algumas pessoas perdem seus substitutos e ficam totalmente desesperadas porque têm que lidar com o mundo diretamente, é incrível como se sentem sufocadas (às vezes não nos sentimos assim?). Bom filme e até!

O Garoto de Pijama Listrado

   Uma produção que conseguiu ir além da mesmice quando o assunto é Holocausto. Na história, baseada num livro homônimo, um garoto de 8 anos (Bruno), cujo pai da SS nazista é designado para comandar um campo de extermínio, conhece um garoto da mesma idade chamado Shmole preso nesse campo. Neste cenário, aparentemente incomum, ambos desenvolvem uma belíssima amizade inocente e livre de todo e qualquer preconceito.

   O ponto forte do filme está no fato de que a história nos mostra uma Alemanha que ignorava (talvez por conveniência) a ocorrência das atrocidades cometidas contra os judeus. E também como nem todos os alemâes concordavam com o füher. 

   De uma forma sensível e terrível, mostra como a realidade humana é muito maior que o discurso ideológico, que tem como objetivo único justificar o injustificável.

   A mentira também é um ingrediente ácido no filme, tanto para o mal (como as propagandas governamentais sobre os campos), quanto para o bem (uma mãe procurando proteger seu filho da realidade dura da guerra ou do garoto que mente para sua família em nome da sua amizade).

   Soma-se, a isso tudo, a conclusão derradeira e terrível de como os interesses de um grupo elitista, comandado por um ditador, destrói a inocência e a alma humanas. É isso.

O Espetacular Homem-Aranha

O filme traz uma nova forma de vermos a origem do herói-escalador-de-paredes-lançador-de-teia. O ponto alto do filme é o enfoque dado aos pais de Peter e o destino destes. Nos quadrinhos, os pais eram da SHIELD e foram mortos pelo envolvimento em assuntos governamentais. No filme o pai de Parker é pesquisador geneticista e trabalha com aranhas (ironia). Outro ponto forte são os eventos que antecedem a morte do tio Ben: apesar de não aparecer a célebre frase "grandes poderes...", o ensinamento bate em cima das escolhas que fazemos e aceitarmos as consequências com responsabilidade.

Este aspecto moral tem sido uma frequente em vários blockbusters (Hary Potter por exemplo), talvez seja a forma dos produtores cativarem os pais para que estes incentivem seus filhos a assistirem. Nada contra, mas é preciso encontrar o tom certo para que não fique exageradamente piegas.

No entanto, o filme tem um enredo médio bravamente assegurado pelo ritmo das perseguições e lutas em 3D (destaque para o efeito que faz do espectador o próprio homem-aranha se balançando e escalando). Outro aspecto que não agrada muito é o fato do Peter revelar muito facilmente sua identidade para sua namorada e seu pai.

Para finalizar, o atirador de teias: quando foi lançado a primeira trilogia de Sam Raimi, não ficou muito legal aquele negócio de que a teia era produzida por uma glândula no punho do herói. Assim, senti uma espectativa sobre o atirador de teias ser artificial porque revelaria o lado nerd de Parker (tão característico do personagem). Apesar do dispositivo aparecer, não houve explicação de onde veio os fios da teia. Nos quadrinhos, Parker produz sua teia a partir do isolamento de proteínas de seu próprio sangue, condicionado em cartuchos pressurizados, acomplado a um disparador que possui disparos variados (curtos, prolongados ou dispersos) de acordo com a pressão ao apertar a palma da mão.

Parece que sempre há algo a melhorar no filme quando é uma adaptação de livro ou gibi. Talvez seja por isso que chama-se ADAPTAÇÃO e não cópia. No mais é um ótimo entretenimento. Bom filme!

Trilogia Batman – parte I

Demorou mas finalmente acho que estou preparado para escrever minhas impressões sobre a trilogia Batman de Cristopher Nolan. Isso porque não foi possível ter uma opinião formada sobre cada um dos filmes, pois todos fizeram parte da forma como Nolan pensou em como contar a história do Cavaleiro das Trevas. Como um fã declarado do personagem desde a infância, seria leviano comentar algo sobre os filmes e não pudesse amadurecer a respeito das adaptações feitas, pois criou-se uma nova saga que marcou não só a história do personagem, mas também na forma de se produzir e encenar uma película. Estou me referindo ao fato do diretor não se render a onda do 3D e filmar algumas cenas com filme de 65mm para conseguir cenas panorâmicas em primeiro plano e pelo fato do filme poder ser projetado até numa fachada de prédio sem perder a qualidade e resolução.

Começando pela escolha do elenco fixo: Gary Oldman (um camaleão), Michael Caine, Morgan Freeman e Christian Bale. Oldman como Gordon ficou perfeito pois mostrou um personagem ativo e cheio de conflitos entre o que deve e o que precisa ser feito, mesmo sendo necessário mentir e omitir fatos e pessoas, ferindo assim seu senso de moral e ética tão raros nos policiais de Gothan.

O mordomo/tutor Alfred de Caine...cara... foi demais! Suas cenas com Bale (Bruce Wayne) foram intensas e plenas de dramaticidade. A sintonia entre os atores mostrou como a figura do mordomo e tutor é de suma importância para o herói que, nem sempre tinha certeza sobre o que estava fazendo. Alfred sempre foi a voz na consciência de Bruce Wayne mesmo quando o contrariava. Destaque para duas cenas: no primeiro filme, depois de ter a mansão incendiada, Bruce é socorrido por Alfred que o leva até a Caverna. A segunda, no terceiro filme, Alfred revela a Bruce sobre a carta deixada por Rachel (2º filme).

Morgan Freeman é outro ícone que deu muita credibilidade à produção. Lucius Fox, como o sobrenome do personagem indica, era o sagaz parceiro de Wayne/Batman. Desde o início da trilogia, foi um grande amigo pois, além de auxiliar o Vigilante de Gothan com os equipamentos, não deixava de apoiar Bruce mesmo não concordando com algumas práticas dele (como no sistema de espionagem acoplado aos celulares de Gothan visto no 2º filme) pelo simples fato de dar o voto de confiança. E não se arrependeu!

Christian Bale como Batman/Bruce Wayne conseguiu tirar o stigma do personagem que é o protagonista, mas não consegue se destacar muito mais do que um coadjuvante. E olha que afirmo isso como fã do personagem. É que nas outras versões cinematográficas, Batman ficou obscurecido pelo papel dos vilões, a ponto de serem mais lembrados do que o herói. Mas Bale mostrou e passou para a telona toda a humanidade do herói, o qual precisou ser marginal para combater a marginalidade. O que nos fez entender que a identidade secreta era Bruce Wayne e não o Batman. Suas mudanças de humor e de entonação de voz ficaram ótimas e sem precisar recorrer àquela idéia de que o herói tem que ser correto o tempo todo.

Bem, o que dizer do elenco móvel? Do primeiro filme: Lian Neeson (Ra’s AlGhul), Kate Holmes (Rachel Dawes) e Cillian Murphy (Dr. Crane/Espantalho); do segundo filme: Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes), o irrepreensível Aaron Eckhart (Harvey Dent/Duas Caras) e o fabuloso Heath Ledger (Coringa); do terceiro filme: Tom Hardy (Bane), Anne Hathaway (Selina Kyle/Mulher Gato), Joseph Gordon-Levitt (John Blake/Robin?), Marion Contillard (Miranda Tate/Talia AlGhul) e Matthew Modine (Chefe de polícia Nixon). Sem eles, Batman não teria sido o herói que foi nas telas.

Enfim, demorei para ter clareza sobre esta trilogia e percebi que não havia espaço suficiente para escrever a respeito desta obra de arte cinematográfica (eu disse que era fã). Por isso estou optando por realizar esta resenha em duas partes, afinal esta história merece ter um comentário pleno e o mais completo possível. Até a parte 2!

Trilogia Batman - Parte II

Bom, começando pelo primeiro filme da trilogia (Batman Begins), Nolan fez uma bela leitura e apresentação sobre a origem do herói. Suas inseguranças, dilemas entre justiça e vingança, além de ter que lidar com a dor da perda. Destaque para a declaração que a personagem Rachel faz ao final do filme quando afirma que Batman é o protagonista, enquanto Bruce é a outra identidade. Este aspecto é o que diferencia o Cavaleiro das Trevas dos outros heróis.

No entanto, o que considerei como central neste filme foi a necessidade do surgimento do Batman. Gothan é uma cidade jogada na escuridão, sem esperança ou perspectivas, lembrando até um pouco o período de recessão pós 1929 - gangues e mafiosos ditando as regras na cidade. Neste sentido, o vigilante não é a causa e sim uma consequência.

No segundo filme (O Cavaleiro das Trevas), o vigilante conseguiu impor uma nova ordem, apesar de não ter surtindo muito efeito na dinâmica social de Gothan. Apenas causou um outro efeito: os mafiosos reagiram. É neste contexto que surge o Coringa. Ele representa o antagonismo do herói, não somente porque é o vilão, mas porque põe em xeque a ética, a moral e a lógica do status quo. É um questionamento tão forte a respeito do bipolaridade ordem-caos que mexe com a percepção que se tem do porquê se fazer as coisas - praticamos o bem porque é correto ou é conveniente? Esta pertubação é muito bem representada pela duplicidade que vive o personagem Harvey Dent até a sua mudança para o Duas Caras.

O terceiro filme (O Cavaleiro das Trevas Ressurge) faz mais do que um desfecho para o enredo iniciado pelos dois primeiros filmes, trouxe uma discussão que define o que foi toda a trajetória dos personagens e seus dilemas. O embate surge em dois momentos: na crise de consciência do comissário Gordon sobre o que realmente houve na noite da morte de Dent e na frase sussurrada por Selina Kyle no ouvido de Wayne – “ Vem uma tempestade. É melhor seus amigos se prepararem. Quando ela chegar, vão se perguntar como acharam que podiam viver com tanto e deixar tão pouco para o resto de nós.”

Em outras palavras, a paz e tranquilidade em uma sociedade não pode ser construída em cima da alienação da maioria, forjada em mentiras, mesmo quando por uma causa supostamente altruísta. Digo supostamente porque a lógica da desigualdade e ausência do Estado continuaram na cidade, o que fez o discurso de Bane ser tão perturbador quanto a lógica do Coringa. Bruce Wayne se viu forçado a olhar não somente para o que está a seu redor, mas para além da sua dor e exílio, assim como Alfred aprendeu que poupar alguém de uma dor inevitável, pode fazer com que a pessoa não consiga lidar com essa mesma dor que acabará se revelando maior que antes.

Trazendo o drama do filme para a nossa realidade, num paralelo, há uma questão, a qual me atrevo a dizer que é visceral e que não quer calar: O que dá direito a um pequeno grupo (elite) de decidir o que é melhor para uma sociedade?

Como estou fazendo esta pergunta, atrevo-me também a ensaiar uma possível resposta: Nós! Com a nossa inoperância e acomodação, esperando que alguém (herói, vigilante, Estado) faça algo para mudar a realidade. É preciso romper as correntes da alienação, mas é primordial querermos fazer isso. Somente desta forma poderemos visualizar além de nossas dificuldades e de nosso exílio auto-imposto e construir uma nova possibilidade que cause um efeito realmente coletivo. 

Acho que comecei a divagar um pouco, mas são alguns pensamentos que me ocorreram enquanto o enredo do filme se desenvolvia. Por isso afirmo que a trilogia Batman de Christopher Nolan não é somente um blockbuster de ação, é também uma forma de vermos uma caricatura de nossa sociedade e modo de produção, que se encontram também numa encruzilhada que deverá ser rompida em breve, no mais, ÓTIMO FILME PARA VOCÊS!

Ted

Enfim pude assistir ao filme Ted, produzido, escrito e dirigido por Seth MacFarlane, criador das séries Family Guy, Amercan Dad e The Clevelan Show. E, sinceramente, não vi o motivo para tanta discussão sobre a moral e valores que foram corrompidos pela produção.

A história é simples e até bobinha: uma criança que tem dificuldade em fazer amizade, numa manhã de natal ganha um urso Ted e faz um pedido de todo o coração para que o urso seja vivo. O desejo é realizado e os dois se tornam "os melhores amigos". O garoto e o urso "crescem" juntos mas ambos têm dificuldades em relação ao amadurecimento. E este é o mote para as situações cômicas.

Para aqueles que conhecem as outras produções de MacFarlane, o longa não traz nenhuma surpresa: o humor ácido e sem rodeios, a caricatura da sociedade, a crítica (pra lá de pessoal) do diretor em relação à produção cultural norte-americana... enfim, muitas tiradas sobre o que é cult no entretenimento criado por Hollywood e TV paga.

O fato do urso e de seu dono usarem drogas e bebida é totalmente secundário, apesar do fato de ser chocante ver um objeto ligado à inocência associado a algo ruim, em nenhum momento há uma apologia à má conduta, talvez não mais do que vemos nos programas de auditório ou novelas. Pelo contrário, o filme passa inclusive uma mensagem sobre amizade e fidelidade. Tudo com cobertura de um final meio melo-dramático, muito satirizado inclusive pelo próprio MacFarlane em seus trabalhos anteriores para a TV.

Enfim, o polêmica gerada pelo deputado Demóstenes acabou por promover mais ainda o filme, causando curiosidade o que, a meu ver, foi mais vantajoso para a promoção do filme que não é tudo isso. No mais, é só mais uma comédia romântica com umas tiradas mais pesadas e uns palavrões jogados em situações de cotidiano. É isso!

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