COLÉGIO ESTRUTURAL | Mogi das Cruzes | Escola Particular

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Eleitor na contramão

Maria Lourdes da Silva

Jornal Sete – 26/08 a 01/09/2012

 

Tenho visto ser divulgado,debatido e criticado na mídia a questão das candidaturas dos chamados “palhaços”. Estranhei o bombardeio de críticas tão severas e, confesso, causou-me certa indignação, diante do fato que, por repetidas vezes, pronunciamos a palavra democracia, não por se tratar de uma palavra com significado bonito e que soa muito bem nesta fase eleitoral em que vivemos, mas pelo próprio conceito de que dela emana.

A Constituição Brasileira, no artigo 14, garante que todo cidadão brasileiro nato, maior de idade e alfabetizado pode se candidatar, pleiteando uma vaga no Executivo ou Legislativo. E não faz qualquer menção quanto à cor, raça, profissão, condição social ou financeira. O candidato usa de sua convicção, ideologia e carisma e muitas vezes utiliza seu conhecimento e popularidade para defender o interesse e necessidades de uma comunidade local. As críticas vão além deste parâmetro, eclodindo a realidade dos interesses partidários, cujas legendas agregam personagens carismáticas e somam coeficientes elegíveis que favorecem outros candidatos do partido, velhos conhecidos do eleitorado.

O que retrato aqui, na verdade, é sobre nossa consciência eleitoral que traz, no contexto geral, um pedido urgente de reflexão e análise a partir de cada candidato, sendo ele palhaço ou não. O que nos cabe é a capacidade de avaliarmos o que tem sido feito pelos já eleitos; se propostas e objetivos foram atingidos e qual a possibilidade de substituição e renovação, para que não se desenvolva um ciclo vicioso de cargos ociosos, alimentados simplesmente pelo glamour e status que este oferece. Para o eleitor esclarecido e consciente não importa a nomenclatura que o proponente usará: “Maria do Açougue”, “Pedro do Táxi” ou “Zé da Padaria”, não importando também se é palhaço por profissão. Em geral, no cenário político, o eleitor tem poder e papel decisivo, mas não está ainda absolutamente maduro e consciente de que quem dá as cartas é ele. Fazendo uma análise sobre o meio político, uma amiga desabafou: “Palhaço é aquele que se veste de palhaço. São as suas atitudes, fora deste personagem, que nos mostram a sua real intenção. Avaliemos então suas atitudes e ações enquanto cidadão”.

Aproveitando a mensagem, emendo outras observações sobre a condição do candidato vendido e promovido por estratégias de marketing bem elaboradas. Se, o enxergarmos friamente como produto a ser consumido, devemos lembrar que todo produto tem prazo de validade, sendo analisado constantemente pelo consumidor, no caso, o eleitor. Em1992, brasileiros saíram às ruas, com as caras pintadas, em protesto ao governo Collor. Será que ao pintarmos a cara, não estaríamos próximos a caracterização do próprio palhaço? O importante foi o efeito causado por esta comoção que marcou um fato histórico na política do país.

De hoje em diante, não queremos só fazer parte da plateia e muito menos do picadeiro, mas atuar entre os dois e estar preparados para anunciar o fim, caso o espetáculo não nos agrade.

Uma discussão sobre para que serve a educação.

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/escola-e-cidadania/

Esta modinha de cartografia já é meio batida, mas é bem legal.

http://alphadesigner.com/mapping-stereotypes/

Link para o texto usado como base no tema da redação do Simulado.

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0645/noticias/ah-se...

Vídeo que já virou popular nas redes sociais. Clique e assista:

Um ótimo texto de Luis Nassif

A Super Classe Média

Para discussão na próxima aula.

 

O caso da Zona Azul no Centro de Mogi das Cruzes

Aqui estão dois textos para discutirmos a respeito da totura:

Pra que serve a tortura?

Questão de Método

Rolezinhos: causas e consequências

Mc Leonardo

Nasci sendo vizinho dos bairros mais nobres do Rio de Janeiro, mas em um cenário de total miséria. Aos 13 anos, entendi que estava na idade de trabalhar, desci a Favela da Rocinha e consegui um emprego na Rua Visconde de Pirajá, nº 550, mais conhecido como Top Center. Essa minha atitude foi o suficiente para que eu visse o abismo que existia entre a minha realidade e a realidade de quem frequentava aquele famoso prédio em Ipanema. Final dos anos 80 e a Rocinha não era nem de longe o que é hoje. Quando eu dizia onde morava, muitos se assustavam, já que até as vendedoras das lojas tinham carro e moravam em bairros sofisticados. As pessoas aproveitavam para perguntar se tinha alguém vendendo toca-fitas de carro barato perto da minha casa, mas nunca perguntaram se havia alguém na minha família precisando de advogado, dentista ou mesmo com o sonho de querer ser um.

O tempo passou, muita coisa mudou, mas o olhar preconceituoso e o tratamento diferenciado continuam os mesmos. Se antes os seguranças dos supermercados me seguiam quando eu entrava nesses estabelecimentos desacompanhado, hoje são os taxistas que não param pra mim, pelo simples fato de eu estar usando tênis, camisa polo e boné de aba reta. Recentemente um motorista de taxi falou para mim que, na opinião da maioria deles, essa maneira de eu me vestir é uniforme de ladrão. Uma sociedade que está com medo de um boné tem que reconhecer que está falida.

Sendo eu um artista, tive através da minha profissão a oportunidade de entrar em todas as casas de show e boates da minha cidade, assim tenho casos emblemáticos de separação de classes, mais vou citar apenas um. 2005, Boate Baronetti, Ipanema, Rio de Janeiro. Toda quarta-feira rolava uma noite de Funk e muitas vezes fui cantar lá com o meu irmão e parceiro Mc Junior. Na portaria, 2 brutamontes (desses que as pessoas chamam de armário) vestidos de terno e muito bem humorados selecionavam pessoas na fila e liberavam o acesso ao estabelecimento. Fiquei intrigado com aquilo e decidi perguntar a um funcionário dessa casa como funcionava a entrada. Ele me disse que, por ser muito pequena e o evento ter atraído muita gente, a alternativa encontrada era selecionar as pessoas bonitas, ou seja, os que não estavam nos padrões de beleza preestabelecidos, mesmo que estivessem com dinheiro, não iriam conseguir entrar.

O que dizer dos condomínios residenciais, que deveriam ser proibidos por estarem fechando ruas, desrespeitando direitos básicos como o de ir e vir e mesmo assim ainda estão brotando como cogumelos em toda grande cidade brasileira? Atualmente, os bailes Funk estão sendo perseguidos por serem feitos de uma maneira que não agrada o capital imobiliário, pois fazem jovens pretos e pobres cruzarem a cidade para encontrar mais pobres e pretos. Entre tantos os motivos que levam a essa proibição, esse pra mim é o mais terrível de todos. Agora estamos diante de um fenômeno chamado “rolezinho” que nada mais é do que a massa marcar um encontro. Em qualquer lugar que esse encontro fosse marcado, isso levaria medo a população que se vê fora dessa massa, mas marcar um encontro num Shopping é pra mim algo mais que genial, é uma tacada de mestre.

O medo causado pelos jovens aos donos de lojas e as empresas contratadas para dar segurança, nos “rolezinhos”, serve para nos fazer refletir que não discutimos da maneira correta uma série de coisas. Não discutimos a maneira que as pessoas estão sendo retiradas de suas casas, na maioria das vezes a força e, no caso de São Paulo, através de incêndios mal explicados. Não discutimos a internação compulsória que, na maioria das vezes, não tem como intenção ajudar o dependente químico pobre a se libertar do vício e sim apenas não deixar feio o lugar que ele estava ocupando, porque o foco, quando as autoridades adotam essa postura, é a preservação da estética das ruas e não a recuperação do paciente. Não discutimos a militarização dos espaços públicos, deixando a mídia mentir sobre o que está acontecendo dentro das favelas, chamadas de “pacificadas”. Vejo com muita esperança essas iniciativas populares que quebram esses estereótipos. Qualquer hora dessa, de tênis, camisa gola polo e boné de aba reta, vou dar o meu rolezinho também, pois não sou de ferro!

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